sábado, 29 de novembro de 2008

Quero acreditar...

Quando tudo acaba, parece que acordamos de um sonho bom em pleno dia nublado, chuvoso e incerto, nos chamando pra realidade cruel do cotidiano. Parece que temos que por os pés no chão depois de ter flutuado por milhas e milhas entre as nuvens mais altas, ou atracar no primeiro cais abandonado, em meio à turbulência, depois de ter singrado oceanos azuis e calmos, dormir no deserto árido e seco, sentindo o vento arenoso bater no rosto após ter os dias norteados por entre oásis de pura magia, com estrelas ao alcance das mãos, como nos forçando a um castigo por ter abandonado por tão pouco, o que era a promessa maior do destino!... Quando tudo acaba, podemos estar muito próximos de quem éramos tão íntimos, há instantes atrás, mas no entanto fica um espaço que não dá mais pra juntar com o outro lado. Os corações parecem, agora, terras distantes e proibidas que jamais chegaremos a por os pés por lá!...Pelo erro de algumas palavras ou atitudes vis, ficamos vendo o outro ser tomado de assalto por aventureiros, piratas, tuaregues sem escrúpulos, por invasores que saqueiam e fazem arruaça no altar sagrado aonde se cultuava o mais puro sentimento! Quando tudo acaba, parece que a força se renova, se desdobra, ou mesmo aparece de onde se escondia e faz o mundo girar mais rápido, faz a gente ver com outros olhos pessoas que sempre estiveram alí e nunca nos permitimos olhar com malícia, com desejo, ou mesmo com mais carinho. Acabamos fazendo para uma outra pessoa que inventamos, tudo o que deveríamos ter feito para aquela que era o maior presente, e que hoje a estamos deixando no passado, e nos penitênciando por saber que poderíamos ter tentado mais, ter ido além, mas por algum motivo não tivemos coragem de mergulhar até o fundo, ou porque disputamos o domínio e território, com toda nossa força, naquele país de duas pessoas! Quem será o vencedor aonde não há juíz, aonde não há um tempo previsto para o término do combate?... Essa força contrária é tão mentirosa e fingida que não dá pra considerá-la! Fazemos de tudo pra nos livrar da culpa! Não pensamos, procuramos os amigos pra contar a nossa versão dos fatos para ganharmos força na nossa mentira! É mentira, sim! Nunca nos colocamos tão seriamente do outro lado, nunca nos permitimos perceber os sentimentos do outro, nem sequer escutamos o que tem a dizer, porque isso no momento da batalha fica mesmo impossível!... O egocentrismo é o passaporte para o fim! Somos frágeis. Quebramos ao cair no chão. Estilhaços de nós ficam espalhados por longo tempo até entendermos o quebra cabeça e começarmos a remontagem! Nunca fica igual, temos a certeza disso! Mas é o que somos no momento... cacos! Quando tudo acaba, quando a porta bate pela última vez e vemos da janela o táxi indo embora pra não mais voltar... dói profundamente! Mesmo com a consciência de que já não haveria sequer a possibilidade de uma volta! Mesmo sabendo que o mundo te dará uma nova chance, que um novo amor vai te rondar, outros olhares irão te fisgar, mesmo assim... dói!... Mas essa dor é a certeza de que amamos de verdade, e que será sempre um tempo guardado com um carinho todo especial. Terá sido um pedaço de vida que valeu a pena! Uma maravilha, um milagre único!... Toda vez que chorar de saudade, estarei pisando na terra proibida, resgatando a princesa enclausurada na torre, revivendo um tempo que foi tudo a cada instante! Só quem perdeu um amor, percebe o que falo. Se mais um grande amor ficou no caminho, é sinal que esse caminho que tomei é o certo, e deve ter outro grande amor me esperando, porque a estrada ainda é longa!...
Quero acreditar nisso enquanto choro!...

2 comentários:

Ale Bispo disse...

Não chora não . . .

LiviaSammara disse...

Meu Deus... POeta desse jeito vc acaba com a pessoa...rs

É sério...impossível ler e não se emocionar...
Não sei pq mas tudo a ver comigo...

Adorooooooooo